Aprendendo a incorporar


(Na foto, Pai Alan Barbieri está incorporado de Ogum de Lei)


Existem tantos conceitos e pré-conceitos a serem esclarecidos sobre este assunto tão popular e contraditório para os mais novatos que é possível considerar uma genuína jornada o processo de maturação e divisão das ideias que serão colocadas no papel. Mas isso não impede que o resultado traga frutos dignos de árvores muito frondosas que serão consumidos de forma deliciosa pelos leitores interessados. O momento exato da incorporação é o responsável por despertar com maior intensidade a imaginação humana, pois não há mente que conceba com facilidade uma situação tão fora do comum para o cotidiano. Para muitos, ela acontece como uma assustadora possessão capaz de ludibriar completamente o senso crítico do indivíduo para atingir objetivos maléficos através da enganação de pobres coitados e, para os restantes, é apenas mais um modo engraçado para comunicação com aqueles que já se foram. Normalmente há um consenso completamente errado entre ambos: O espírito entra dentro do corpo para fazer seu trabalho. O princípio da incorporação é a comunicação energética por meio da irradiação do guia espiritual para seu médium e vice-versa por via dos chacras, glândulas e do sistema nervoso, por isso o segundo deve manter-se em equilíbrio e concentrado nos dias de gira. Em nenhum momento um espírito qualquer - seja de luz ou não - tomará conta de um corpo e fará o que bem entender com ele, porque o fundamento da Lei Maior está atento a tudo e a todos. Logo, uma vez que a “teoria da possessão” é inválida diante da carência de trabalho em equipe entre os envolvidos, se invalida também toda a graça do sistema. Incorporar requer disciplina, sutileza, austeridade, calma e toneladas de paciência para que o aproveitamento máximo seja alcançado tanto pela espiritualidade quanto pelo médium.


Por tratar-se de um processo responsável que determinará a qualidade das futuras consultas e da precisão do trabalho realizado, é impossível agilizá-lo a fim de sair da posição ocupada atualmente dentro do terreiro. Não há atalhos disponíveis nem macetes infalíveis; somente o esforço fará com que “chegue lá”. E, na maior parte das vezes, percebe-se quando “chega lá” que esse objetivo era muito pequeno e merecia tanta atenção quanto um minúsculo grão de areia em meio ao mar aberto. Ser um bom filho de santo independe completamente da capacidade mediúnica de incorporação então pouco importa quanto tempo levará para começar a dar passes e consultas ou se sequer fará isso um dia. Estar descalço no chão sagrado, de peito aberto para receber as almas atribuladas e transbordando contentamento vale mais do que qualquer status propagado entre os membros. Basta que se deixe levar pelo momento, sem parar para pensar por um instante, para que a espiritualidade te envolva e faça o trabalho acontecer.


Pai Alan Barbieri




2,205 visualizações
Contatos

Whatsapp: (11) 97074-3287

equipebarbieri@gmail.com

  • YouTube ícone social
  • Facebook ícone social
  • Instagram ícone social

Envie sua mensagem