Dicas para para quem nunca foi em um terreiro de Umbanda.





“Na primeira vez em que eu for a um Terreiro de Umbanda, o que vou encontrar, Alan?”.

Essa pergunta parece muito simples de ser respondida por um praticante de Umbanda, mas a verdade é que ela guarda algumas questões, tanto do ponto de quem nunca foi em um Terreiro quanto do ponto de vista de quem frequenta as reuniões com frequência.

Vamos pensar um pouco sobre esse assunto.

Algo que sempre oriento em relação à primeira ida de alguém a um Terreiro é que as pessoas devem ir sem preconceitos. Elas devem retirar os conceitos prévios sobre quem é Exu, Pombagira, Preto-velho etc.

Isso deve ser feito porque, infelizmente, em nosso país, quase tudo vinculado à cultura negra, e não apenas as religiões afro, é tido como algo “ruim”, “inadequado” ou “feio”. A Umbanda é uma expressão de religiosidade que nasceu da diáspora africana, ou seja, mulheres, homens e crianças foram arrancados de seu lugar de origem e forçados a servir como escravos em terras distantes, como no Brasil.

Nesse sentido, a Umbanda guarda muito da visão de mundo dessas pessoas, suas crenças e modos de ser. Mas, obviamente, que não apenas isso. A Umbanda nasceu também a partir de uma série de elementos e uniu a magia popular ao kardecismo e ao catolicismo.

Então, a primeira reflexão que eu trago gira em torno dessas origens: o medo em relação à Umbanda, as deturpações comumente ditas e a visão negativa sobre ela não é fruto de um preconceito social? De um preconceito contra os tipos e as pessoas comumente encontrados na Umbanda, como negros, índios, velhos, pobres?

Após essa reflexão, é importante ressaltar também que aquilo que se pode encontrar ao se visitar um templo pode variar e ser totalmente diferente de Terreiro para Terreiro. Assim, o fundamental é estar aberto a sentir o que aquele espaço especificamente apresenta para você. A energia é compatível contigo? Como as pessoas que atendem e a prática que está sendo realizada funcionam para você? Você se sente bem ao frequentá-lo?

É comum que as pessoas, na sua primeira visita a um Terreiro, preocupem-se sobre o que vestir ou se devem pedir uma bênção a alguém. Como dirigente de um templo umbandista, eu sempre penso que essas formalidades são menos relevantes do que a própria percepção individual sobre o espaço e o trabalho em si.

Perceba que a visita a um Terreiro é uma prática religiosa, portanto não se diferencia do exercício de nenhuma outra religião: deve ser sentido no seu íntimo como algo positivo, por motivos pessoais. Um Terreiro deve propiciar bem-estar. Não pode ser algo ruim ou repulsivo. Ele existe para ajudar a evolução das pessoas que o frequentam. Assim sendo, não faz sentido vivenciar experiências negativas, sentir-se oprimido ou compartilhar de práticas que não são moralmente edificantes para todos os envolvidos.

É claro que deve haver bom-senso e capacidade crítica para julgar com maturidade o que está sendo feito. Violência, agressividade, abusos não devem existir em nenhum lugar, muito menos em um local sagrado. Mas, da mesma forma, deve haver respeito, apreço e reverência.

Acredito, por fim, que esse é o principal ensinamento que um praticante de Umbanda deve dar ao ser questionado sobre “o que tem num Terreiro”. Deve ser ensinada a abertura. Assim como esta é fundamental para seu desenvolvimento espiritual, é importante chamar as pessoas novatas a essa percepção íntima da experiência de Umbanda, afinal prestar atenção a esse medidor interno é a própria experiência do sagrado em nós mesmos.


Pai Alan Barbieri

Agora você pode ter acesso aos cursos online do Pai Alan a qualquer momento e em qualquer lugar. Confira: www.estudaremcasa.com.br



187 visualizações
Contatos

Whatsapp: (11) 97074-3287

equipebarbieri@gmail.com

  • YouTube ícone social
  • Facebook ícone social
  • Instagram ícone social

Envie sua mensagem