Umbanda, a maior expressão cultural brasileira



O modo que a transmissão de informações ocorre na umbanda é fantástica. Espíritos alinham suas vibrações às dos seres humanos em processo evolutivo e enviam sugestões ao inconsciente dos próprios para que os aconselhamentos corretos sejam entregues aos consulentes. Parece até coisa de filme de ficção científica, mas não é. Desde o primeiro momento, a umbanda fundamentou a incorporação de espíritos pertencentes à hierarquia organizacional espiritual como seu traço único; em nenhum outro local será possível ver tanta diversidade étnica, cultural e histórica de uma vez só. Assim como o país no qual ela nasceu, essa religião exala acolhimento e uma explosão de vivências exclusivas. Como já muito divulgado ao longo das décadas, a primeira manifestação de uma entidade genuinamente umbandista ocorreu em 15 de novembro de 1908 e teve como canal o médium Zélio Fernandino de Moraes. Entidades de Direita, representantes das duas maiores manchas já deixadas em território nacional e possuidores dos níveis mais notórios de evolução energética, Caboclo das Sete Encruzilhadas e Pai Antonio eram aqueles que estavam a frente do início da codificação dos trabalhos nos terreiros disfarçados de mesa branca. Muito justo que, na linha do tempo encarregada de ilustrar o surgimento de cada linha nos barracões, apareçam em primeiro lugar os escravos e índios que habitaram essas terras antes, durante e após o descobrimento do Brasil. Por mera coincidência – ou não – o princípio do culto foi batizado pelo princípio do solo onde nasceu.

As linhas de trabalho surgiram de forma estratégica, resgatando o histórico de lutas por ideais travadas em todos os cantos da nação. Os ciganos, por exemplo, desde a Reconquista Cristã (1492) povoam as Américas e esforçam-se para evitar que sua ancestralidade continue a ser rechaçada e taxada de bruxaria por outras sociedades que pouco ou nada sabem sobre a essência do desapego e da busca incessante pelo melhor – princípios muito belos que são excelentemente retratados pelos Guias espirituais. A simbologia ativista coloca em xeque as crenças preconceituosas dos praticantes e trata com ironia aqueles que exercem qualquer tipo de papel opressor enquanto vestem o branco e fingem seguir o caminho da espiritualidade. Numa religião que apoia abertamente pautas como o empoderamento feminino (Pombagira), o perdão àquele que cometeu falhas desmedidas (Exu) e a reivindicação de direitos (Baianos, Cangaceiros, Marinheiros, Malandros e Ciganos) é irracional que existam indivíduos machistas, egoístas, antipáticos, intelectualmente alienados ou claramente contrários à proposta. Guias espirituais também estão na Terra para nos lembrar que há algo além da bolha social em que vivemos; há outros corações batendo que precisam de atenção. Enquanto a doutrina for do povo, este será interpretado em cada uma de suas nuances nas casas de axé. Feiticeiras condenadas na época da Inquisição, xamãs perseguidos por devotos de um deus cruel, negros de costas marcadas pelo chicote, pobres vítimas da ganância, os “Zés” e “Marias” presos por benzer a vizinhança; todos são bem-vindos nas falanges de Aruanda.


Pai Alan Barbieri

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